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domingo, 25 de outubro de 2009

illuminati



A palavra illuminati tem sua origem no latim e significa literalmente iluminado. No entanto, iluminado é uma expressão muito comum no vocabulário ocultista, principalmente quando se trata de grupos secretos e doutrinas específicas, fazendo referência a uma elevação espiritual da qual seus membros supostamente são dotados.
Dessa forma, ao longo da história, encontram-se vários registros sobre os "iluminados" em culturas bastante distintas. Na Europa medieval, precisamente entre os séculos XV, XVI e XVII, havia "iluminados" na Espanha, Itália e França, sob a alcunha de alumbrados, illuminés e martinistas, por exemplo. Ainda, personagens como Inácio de Loyola estariam envolvidos de alguma forma, ou pelo menos nutriam uma certa proximidade, com um destes grupos. Sob uma abordagem mais ampla, maçons, rosacruzes e templários podem ser incluídos no mesmo ponto de vista.
Naturalmente, devido à poderosa influência da Igreja Católica neste período, algumas destas sociedades secretas foram investigadas e desmembradas pelo implacável sistema inquisitório; anulando, dessa forma, importantes registros históricos sobre suas atividades.

As origens da Ordem

Há pelo menos duas possíveis origens da ordem que atualmente é conhecida por Illuminati. Robert Wilson, autor de O Livro dos Illuminati, afirma que a ordem fora concebida em 1090 por Hassan Isabbah com o nome de Ismaelita (posteriormente conhecidos como Haxixinos devido ao consumo de haxixe) e um propósito ocultista de atingir a imortalidade através de práticas de magia. Esse grupo de Isabbah teria sido aniquilado pelos mongóis de Gengis-Khan sendo que alguns poucos sobreviventes migraram para o ocidente e deram continuidade aos preceitos da extinta ordem.
Outra hipótese refere-se à ordem conhecida por Illuminati da Baviera. Fundado no primeiro dia de maio do ano de 1776 por Adam Weishaupt e Adolph Von Knigge, na região da Baviera, Alemanha, o grupo reuniu pensadores e intelectuais e, dentre seus membros, encontravam-se personalidades influentes da arte e da política.
Inicialmente, auto-intitulados de Ancient and Illuminated Seers of Bavária – AISB (Antigos e Iluminados Profetas da Baviera) e posteriormente conhecidos apenas por Illuminati ou Illuminati Bávaros, o grupo aparentemente não tinha propósitos ocultistas, mas essencialmente iluministas (apesar de serem considerados gnósticos).
No entanto, pode-se dizer que constituía-se como uma "sociedade secreta" pois sua organização, estrutura e quadro de membros não era totalmente revelada. Havia uma espécie de recrutamento ou convite velado à maçons e ex-maçons a fim de compor a ordem, e uma hierarquia distinta em escalas na qual cada membro comprometia-se em obediência ao superior.
A ordem propagou-se em vários países europeus e estima-se ter atingido um número próximo a 2000 membros. Entretanto, devido ao rigor do governo bávaro em relação à manifestações não religiosas, ainda mais às supostas sociedades secretas, a ordem perdeu força e diluiu-se em pouco tempo, sendo encerrada em 1788.
Em outra perspectiva, a Ordem dos Illuminati Bávaros seria apenas um resgate da ordem de Isabbah promovido por Weishaupt; sendo que o próprio Weishaupt seria um estudante de ocultismo.

Conspiração Secular

De qualquer forma, uma grande parte da fama conspiratória adquirida pelos Illuminati ganhou seus primeiros contornos nos anos seguintes, entre o final do século XVIII e início do século XIX. Neste período, seus opositores iniciaram uma "campanha" na qual tentava desvirtuar os propósitos primitivos atribuindo-lhe um caráter revolucionário e conspiratório.
De um modo geral, a tese dos opositores afirmava que havia um plano sendo articulado no sentido de infiltrar membros da ordem Illuminati nos mais elevados postos do poder político e econômico mundial.
O livro Memórias Ilustrativas da História do Jacobinismo, de Augustin Barruél, de 1797, abordava um sistema conspiratório entre Templários, Rosacruzes, Jacobinos e Illuminati, chegando a atribuir à ordem uma participação intelectual significativa na Revolução Francesa em 1789. No ano seguinte, o professor escocês John Robinson publicou Provas de uma conspiração contra todas as religiões e governos da Europa, no qual atribuía aos Illuminati a mecanização de um movimento com o objetivo de anular o poder das religiões e instituir um sistema de governo único sobre todas as nações. Posteriormente, esta obra recebeu o acréscimo de citações do livro de Barruél. Outras sociedades como Skull and Bones (fundada em 1832 nos Estados Unidos) seriam derivadas da Illuminati.
O estadista americano Thomas Jefferson (presidente dos EUA no início do século XIX) foi uma das poucas vozes que destoaram da campanha negativa em relação à Illuminati. Jefferson afirmava que a ordem pretendia introduzir valores morais na sociedade e relacionou seu caráter secreto a uma necessidade devido às imposições religiosas e governamentais da época.

Conspiração Contemporânea

Atualmente, há a idéia de que a ordem não foi extinta no fim do século XVIII; apenas ocultou-se socialmente e ainda influencia as diretrizes que conduzem as maiores potências mundiais.
René Chandelle, autor de Os Illuminati e a Grande Conspiração Mundial, afirma que a ordem nunca se extinguiu e está promovendo o início da Terceira Guerra Mundial através dos conflitos religiosos entre os povos árabes. A mesma obra afirma que os Illuminati têm cinco objetivos principais:

• erradicar todos os governos de modo que haja apenas uma autoridade mundial (a própria Ordem Illuminati);
• o fim das propriedades pessoais, para que todos os bens sejam de propriedade do estado Illuminati;
• eliminar o conceito de nações e patriotismo, para que todos os países sejam componentes de um único império presidido pela Ordem;
• fim do conceito cristão de famílias, sendo que o amor e o desejo de união sejam mais significativos do que as imposições religiosas;
• o fim das religiões, para que estas não influam no pensamento e comportamento humano, apenas os ideais Illuminati prevaleçam.


Sob este ponto de vista, os Estados Unidos teriam se fundamentado política e economicamente sobre os supostos ideais nefastos da Illuminati. Uma possível referência seria a simbologia ocultista da pirâmide encabeçada pelo "olho que tudo vê" e a frase "Novus Ordo Seclorum" (Nova Ordem Secular) a um hipotético lema instituído pela ordem.
Ainda, as divisões da bandeira americana (listas horizontais) são equivalentes às divisões da pirâmide impressa. O próprio grande-selo, símbolo do estado americano, traria em si diversas referências enigmáticas aos Illuminati e à Maçonaria: a águia central, a quantidade de penas em suas asas, número de flechas e estrelas e a inscrição latina seriam indícios da influência de sociedades secretas (como a Ordem Illuminati) na fundação e na condução política e econômica de toda a história dos Estados Unidos.
Ainda, fatos históricos como o assassinato de John Kennedy e o acidente fatal de Lady Diana teriam sido manipulados e executados por membros da Illuminati. O RPG de Steve Jackson intitulado INWO (Illuminati – New World Order ou Illuminati – Nova Ordem Mundial), lançado em 1995, faz alusões a acontecimentos futuros na história da humanidade, incluindo duas cartas que representam claramente os atentados de 11 de Setembro de 2001. No entanto, isto não significa que o autor seja um membro da Ordem, mas, ao menos, tinha conhecimento de seus planos.
No Brasil, os Illuminati teriam seus tentáculos inseridos através do grupo intitulado Os Aquisitores. Este grupo teria sido responsável pela renúncia do Jânio Quadros, na instauração do Regime Militar em meados da década de 60 e em outros diversos acontecimentos políticos como mortes misteriosas de homens influentes até a recente eleição presidencial.

Iluminados na Cultura

A Ordem Illuminati é freqüentemente retratada na cultura popular, incluindo cinema, música, literatura, jogos eletrônicos e de tabuleiro. Uma de suas mais recentes e célebres referências encontra-se no livro Anjos e Demônios do escritor americano Dan Brown. Nesta obra, o autor cita a Illuminati como uma ordem secreta que, em uma trama envolvendo poder político, religião e conspiração, busca uma vingança histórica contra a igreja Católica. Outra referência literária é O Pêndulo de Foucault de Humberto Eco, no qual o autor cita várias ordens secretas, incluindo a própria Illuminati.

Satanismo & Luciferianismo



SATANISMO

O termo Satanismo sugere várias interpretações. Desde a Idade Média, é usado para designar as crenças do período pré-Cristão ou as religiões não cristãs, como a Wicca. Há ainda conotações contemporâneas associando o satanismo a uma filosofia, adoração ao Diabo etc.
Fundamentalmente, o Satanismo é um estilo de vida de aplicação prática. Sua essência baseia-se na idéia de que cada ser humano, em sua individualidade, é uma divindade; capaz de alcançar altos níveis de evolução, desde que não esteja preso a nenhum dogma religioso que subtraia seus reais valores primitivos. Portanto, cada indivíduo tem a liberdade espiritual e filosófica de criar e desenvolver seus critérios, sendo ele seu próprio sacerdote, salvador e deus. Neste caso, o Satanismo não está associado à adoração ao Demônio ou oposição ao Cristianismo.

Alguns tipos de Satanismo

Luciferanismo
O Luciferanismo pode ser considerado uma derivação da filosofia empregada no Satanismo. Seus seguidores não cultuam Lúcifer (Lúcifer é visto como um Anjo, e não como a personificação do mal no cristianismo), mas o vêem como uma referência para alcançar a Iluminação Espiritual. Sendo que a origem de seu nome significa Portador da Luz.

Satanismo Gótico
Neste caso, o termo Gótico é sinônimo de Medieval. Esta variação faz parte apenas das lendas criadas na Idade Média pela Igreja Católica para atemorizar os cristãos e servir de acusação nos processos inquisitórios. O caso das Bruxas de Salém em 1692, é um exemplo. Nesta variação lendária do Satanismo, seus adeptos sacrificavam crianças e animais em rituais de magia destrutiva.

Dabblers Satânicos
Está principalmente associada aos modismos adolescentes. Seus adeptos ensaiam rituais esporádicos de magia utilizando-se do sacrifício de pequenos animais. É essencialmente uma forma de anticristianismo, onde os Dabblers (aficionados) adoram o demônio conhecido no cristianismo e se camuflam sob uma condição que julgam satânica. Igualmente chamado de Devil Worshippers (Adoradores do Demônio), também está associado a delinqüentes que alegam cometer os crimes motivados por Satã.

Satanismo Religioso
É a forma mais difundida de Satanismo. Possui dogmas e a bíblia satânica. Também abriga aspectos místicos e cerimoniais, como batizado e casamento, que o caracterizam como uma religião. Porém, não há uma divindade cultuada nem conceitos sobre céu e inferno, bem e mal ou deus e diabo. A Church of Satan e o Temple of Set são exemplos do satanismo religioso.

Anton LaVey e a Igreja de Satã

Anton Szandor LaVey nasceu na cidade de Chicago, em 11 de abril de 1930. Esta é uma das poucas informações coerentes sobre sua vida. De resto, há um grande conflito em sua biografia. LaVey teria recebido ensinamentos ocultistas de sua avó cigana. Ainda teria viajado para a Alemanha ao lado de um tio, e trabalhado em circos, cabarés e até mesmo na Polícia de San Francisco. LaVey também teria vivido romances com as atrizes Marilyn Monroe e Jayne Mansfield.
Em 30 de abril de 1966, foi fundada a Igreja de Satã (Church of Satan) por Anton LaVey. Apesar de já haver grupos como o Hell Fire Club e o Abbey of Thelema, que cultivavam uma linha semelhante, a Igreja de Satã foi a primeira organização reconhecida como religião dedicada às filosofias satânicas, e considerada a precursora do satanismo moderno. É provável que o nome Church of Satan tenha sido adotado como uma forma de causar um impacto polêmico e chamar a atenção da imprensa. As "Missas Satânicas", que eram paródias das missas cristãs, possivelmente foram criadas com o mesmo objetivo. Portanto, seriam apenas recursos publicitários empregados por LaVey.
Assim, a Igreja de Satã recebeu uma atenção muito grande por parte da sociedade e da imprensa americana, logo atingindo uma notoriedade mundial. LaVey passou a ser considerado o Papa Negro e sua esposa Diane Hegarty, foi nomeada Suma Sacerdotisa.
Em 1º de fevereiro de 1967, ocorreu em San Francisco a cerimônia de casamento entre John Raymond, jornalista político, com Judith Case, filha de um conhecido advogado de Nova York. Apesar de não ser o primeiro casamento satânico realizado por Anton LaVey, a fama de John e Judith serem de famílias abastadas, despertou grande interesse e a cerimônia tornou-se um evento amplamente coberto pela imprensa.
Em maio do mesmo ano, LaVey conduziu o batismo de sua filha de três anos, Zeena. Foi o primeiro batismo satânico da história. Zeena vestia um manto vermelho e usava um medalhão com a imagem de Baphomet, enquanto seu pai recitava uma invocação que futuramente foi incluída no livro Satanic Rituals.
Em 1969, a Igreja já contava com 10 mil adeptos em todo o mundo. Anton LaVey publicou The Satanic Bible, que se tornaria a principal referência do Satanismo. Ainda seguiram-se The Compleat Witch em 1970 (posteriormente revisto e editado como The Satanic Witch) e em 1972, The Satanic Rituals.
A Igreja desenvolvia sua estrutura e hierarquia nas décadas de 70 e 80. Em 1984, Anton LaVey separa-se de Diane e sua filha Zeena ocupa a posição de Suma Sacerdotisa. Nesse período, as Missas Negras e outras cerimônias deixam de ser realizadas devido a intolerância de grupos cristãos. Anton LaVey passa a administrá-la apenas através do Boletim Oficial The Cloven Hoof. Em 1988, este informativo foi extinto e algumas publicações independentes tornaram-se a forma de interagir os adeptos em diversas partes do mundo. Ainda houve um grupo que se desligou da Igreja e formou o Temple of Set (relativo à divindade egípcia Set). Anton LaVey faleceu em outubro de 1997 devido a um edema pulmonar. Atualmente, a Igreja é presidida por Peter Gilmore.

Baphomet, Pentagrama e a Cruz Invertida

Em meio às diversas polêmicas que compõem o tema do satanismo, alguns pontos não ficam totalmente esclarecidos. Por exemplo, a representação de uma cabra com corpo humano encontrada nos cultos do satanismo religioso é denominada Baphomet, que já era conhecida desde os tempos pré-cristãos. Portanto, não possui nenhuma relação com o demônio conhecido no cristianismo. Para os satanistas, Baphomet é uma energia da natureza que os motiva a conseguir seus objetivos. Neste caso, a cabra com corpo humano e asas simboliza força, fertilidade e liberdade, características muito valorizadas pelos povos pagãos.
O pentagrama é um símbolo encontrado originalmente nas culturas pré-cristãs com diversos significados. No caso do satanismo religioso, é utilizado com duas pontas voltadas para cima, simbolizando a face de Baphomet.
A origem da cruz invertida nos remete a São Pedro, que não se julgava digno de morrer como Jesus e pediu para ser crucificado de cabeça para baixo. Este símbolo é encontrado na Basílica do Vaticano, no trono ocupado pelo Papa, etc. Porém, a Cruz invertida também foi adotada por grupos que se intitulam satanistas ou anticristãos.

O Luciferianismo é uma doutrina derivada do Satanismo, que busca virtudes como iluminação, sabedoria, orgulho, independência e liberdade de sua principal divindade, Lúcifer. Ao mesmo tempo é subjetivo, baseado em experiências e aceitação pessoais, sofrendo influências de outras crenças. Assim, não possui uma base rígida de dogmas a serem seguidos, sendo transmitido oralmente e praticado, geralmente, de forma individual.
Historicamente, não há uma origem precisa sobre o início do Luciferianismo. Mas há um conjunto de conceitos que se desenvolveu ao longo dos tempos em várias culturas distintas e resultou no Luciferianismo conhecido atualmente.
As serpentes e os dragões, que são representações de Lúcifer em várias culturas, são também símbolo de sabedoria e eternidade. Estes animais eram alvos de adoração no Egito, Babilônia, Pérsia, e entre os Incas americanos. Assim, podemos supor que esta filosofia já era praticada há muitos séculos.
Na Bíblia podemos encontrar várias alusões à serpente: "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gênesis – Cap. III – Versículo V). Neste versículo, a serpente induz Eva a comer o fruto no Éden. Mas segundo a interpretação dos luciferianistas, encontra-se claramente a simbologia da serpente como portadora da chave que possibilita o homem tornar-se Deus.
Ainda, na Europa medieval, precisamente no ano de 1223, havia boatos sobre um grupo conhecido como Luciferianos. Na verdade, esta "seita" era composta apenas por pessoas que recusavam-se a pagar os impostos exigidos pelo Clero, e por esse motivo foram acusados de "adoradores do demônio" e, obviamente, vítimas da Santa Inquisição. Embora isso seja apenas um boato, ainda hoje é usado como um argumento metafórico pelos luciferianos.

Deístas e Agnósticos

Num aspecto geral, o Luciferianismo pode ser subdividido em duas categorias, nas quais as denominações variam e não são tão significativas para sua compreensão. As modalidades são conhecidas como Deísta e Agnóstico, Tradicional ou Moderno (termos absorvidos do Satanismo), etc.
Os adeptos do Luciferianismo Deísta identificam Lúcifer como o criador do universo, um ser onipresente e onipotente. Neste caso, Lúcifer assume as características principais de uma divindade.
Os luciferianos agnósticos vêem Lúcifer como um arquétipo, ou seja, uma referência de virtudes que são visadas por seus adeptos. Esta variação é nitidamente influenciada pelo Satanismo moderno promovido por Anton LaVey, no qual não há uma divindade específica, mas cada indivíduo eleva-se a ponto de considerar-se "seu próprio Deus". Este conceito também nos remete a ideologia do Thelema, tendo como seu principal divulgador o ocultista, Aleister Crowley.
Mas em todas as variações, Lúcifer é visto como um ser que abriga em si os opostos entre Luz e Trevas, e por conseqüência, o equilíbrio entre os pólos. Este conceito é totalmente contrário a muitas religiões que possuem figuras que representam os arquétipos de bem e mal de forma distintas. A aceitação de uma única referência que é paralelamente Luz e Trevas, segundo os adeptos, é a principal diferença do Luciferianismo em relação aos outros sistemas religiosos. Dessa forma, não há um confronto entre "Deus x Diabo"; ao contrário, há uma união dessas forças que são igualmente responsáveis e necessárias para a evolução humana.

Quem é Lúcifer?

Desde a Antiguidade, passando pelos filósofos e desembocando na figura conhecida erroneamente como o "demônio cristão", diversos personagens da mitologia e divindades cultuadas em inúmeras e distantes culturas, possuem alusões a seres, sejam arquétipos ou concretos, que trazem consigo as características conhecidas em Lúcifer. A literatura contemporânea também o aborda amplamente, como as citações ocultistas de Helena Blavatsky e Eliphas Levi, e na obra poética de John Milton, Paradise Lost.
Segundo o mito cristão, Lúcifer era o mais forte e o mais belo de todos os Querubins e conquistou uma posição de destaque entre os demais. Porém, Lúcifer tornou-se orgulhoso de seu poder e revoltou-se contra Deus. O Arcanjo Miguel liderou as hostes divinas na luta contra Lúcifer e os anjos o derrotaram e o expulsaram do Reino do Céu. Mas a idéia de que Lúcifer rebelou-se contra o Criador e foi expulso também está presente em outras culturas, além do Cristianismo.
Por ser o "Portador da Luz", na Roma Antiga, Lúcifer foi associado ao planeta Vênus que, devido sua proximidade com o Sol, pode ser visto ao amanhecer. O anjo também é chamado de "Estrela da Manhã" e "Estrela d’Alva". Na Mitologia Romana era o filho de Astraeus e Aurora, ou de Cephalus e Aurora. Entre os gregos, Lúcifer pode ser associado com Apolo, o "Deus do Sol".
Nos estudos da Demonologia, diferentes autores atribuem a Lúcifer características comuns. No Dictionaire Infernale (1863) e no Grimorium Verum (1517), é o "Rei do Inferno" responsável por assegurar a justiça. No O Grimório do Papa Honório (século XVI ou XVII), Lúcifer também assume a função de "Imperador Infernal". Lúcifer também é cultuado numa variação da Wicca, sendo visto como o Deus do Sol e da Lua dos antigos romanos.

Luciferianismo & Satanismo

Apesar de popularmente Lúcifer e Satã serem quase sinônimos e esta idéia estender-se ao Satanismo e ao Luciferianismo, há diferenças primordiais entre eles e, por conseqüência, aos sistemas religiosos que os cercam.
Ao longo dos séculos, estes dois personagens também foram representados artisticamente de formas distintas. Por ser um anjo, Lúcifer, é comumente retratado como um homem com asas e, por vezes, empunhando um cajado. Enquanto Satã tem sua imagem associada ao homem com chifres e patas de cabra, muito semelhante ao deus Cornífero (ou Pã), divindade masculina e símbolo de fertilidade cultuada entre os pagãos.
Mas, talvez a maior e mais significativa diferença entre ambos os conceitos, encontra-se na origem das palavras. O termo Lúcifer origina-se no latim e significa "O portador da Luz" (Lux ou Lucis = Luz + Ferre = Carregar). A palavra Satã origina-se no hebraico, Shai'tan, e significa "Adversário"; podendo ser também uma variação do nome da divindade egípcia Set-hen. Dessa forma podemos deduzir que, genericamente, o Luciferianismo busca a Iluminação através de Lúcifer. Enquanto o Satanismo pode caracterizar-se pela oposição, neste caso, ao cristianismo. Assim, os luciferianos consideram que sua filosofia é um "aprimoramento" do Satanismo, apesar de não ser tão conhecido quanto a doutrina promovida por LaVey.
A combinação da imagem de Lúcifer ao "demônio cristão" foi ocasionada por uma interpretação equivocada do livro de Isaías: "Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo" (Isaías – Cap. XIV – Versículo XII a XV).
Este trecho narra as intenções do rei da Babilônia que almejava tornar-se maior que Deus, mas São Jerônimo, que ao traduzir a Bíblia do grego para o latim no século IV, associou esta passagem com Lúcifer e à serpente tentadora, ou seja, a simbologia do diabo cristão. Anteriormente, Lúcifer não havia essa relação. Tanto que, oficialmente, a Igreja não atribui a Lúcifer o papel de diabo, mas apenas a condição de "anjo caído".

Magia, rituais e pactos luciferianos

O Luciferianismo adotou diversas práticas ritualísticas e cerimoniais de outros sistemas mágicos, caracterizando assim, uma corrente de idéias próprias com objetivos distintos nesta doutrina. As influências sobre o Luciferianismo variam de antigos rituais pagãos até os conceitos contemporâneos do Satanismo.
Podemos citar como exemplos as chamadas práticas Internas e as práticas Externas, que subdividem-se em Herméticas e Cerimoniais. A Magia(k) (termo derivado da filosofia thelêmica) Interna é mais comum entre os luciferianistas, pois atua diretamente no estado de consciência e no espírito do praticante. A Magia(k) Externa é mais complexa e elaborada, exigindo uma série de fatores como dia e horários pré-estabelecidos, um local adequado, vestimentas e instrumentos próprios para efetuar mudanças no plano físico.
Neste caso, pode ser praticada solitariamente (Hermética) ou em grupo (Cerimonial). Mas ambas são igualmente importantes entre os luciferianistas, e o sucesso de uma modalidade interfere na outra.
É falso o conceito das chamadas Missas Negras, as quais seriam paródias blasfêmicas das liturgias católicas, utilizando-se de urina e fezes para substituir a hóstia e o vinho, recitando orações ao contrário e promovendo orgias entre os praticantes. Também é irreal a idéia de sacrifício humano ou animal. Neste caso, há apenas um sacrifício simbólico. Há ainda o conceito do "pacto com o diabo" (muito comum na crendice popular), no qual o praticante "vende a alma pro diabo" em troca de riquezas e sucesso. Sob a ótica luciferianista, o único pacto aceitável é o compromisso consigo próprio de buscar a iluminação espiritual utilizando-se da força da própria vontade.

A CRUZ E SEUS SIMBOLISMOS




Apesar de ter sido difundida pelo cristianismo como símbolo do sofrimento de Cristo à crucificação, a figura da cruz constitui um ícone de caráter universal e de significados diversificados, amparados por suas inúmeras variações.
É possível detectar a presença da cruz, seja de forma religiosa, mística ou esotérica, na história de povos distintos (e distantes) como os egípcios, celtas, persas, romanos, fenícios e índios americanos.
Seu modelo básico traz sempre a intersecção de dois eixos opostos, um vertical e outro horizontal, que representam lados diferentes como o Sol e a Lua, o masculino e o feminino e a vida e a morte, por exemplo.
É a união dessas forças antagônicas que exprime um dos principais significado da cruz, que é o do choque de universos diferentes e seu crescimento a partir de então, traduzindo-a como um símbolo de expansão.
De acordo com o estudioso Juan Eduardo Cirlot, ao situar-se no centro místico do cosmos, a cruz assume o papel de ponte através da qual a alma pode chegar a Deus. Dessa maneira, ela liga o mundo celestial ao terreno através da experiência da crucificação, onde as vivencias opostas encontram um ponto de intersecção e atingem a iluminação.